Conexões entre Towerland e Tromso
Em 2025 tive a oportunidade de fazer duas viagens especiais: uma imersão de 12 dias em Towerland (África do Sul – veja post específico sobre esta viagem) e outros 14 dias visitando Tromso (Noruega), Helsinki (Finlândia), Tallinn (Estônia), Copenhagen e Roskilde (Dinamarca).
A primeira viagem teve como propósito um mergulho no desenvolvimento de capacidades que necessitamos para sermos ativistas delicados. Allan Kaplan e Sue Davidoff nos guiaram por vivências relacionadas a forma & liberdade, finito & infinito, etc. Uma das falas que ecoam em mim até hoje “não é porque você não vê que não existe!”. Na ocasião Allan falava dos animais que habitam aquelas montanhas, porque questionamos que não os víamos, nem seus rastros.
Mas sim, esta afirmação vale para qualquer coisa, sobretudo ligada à mágica da natureza. Para ver, é preciso ativar todos os sentidos, além da visão. É preciso buscar sinais que indiquem o que já aconteceu e o que poderá vir a ser.
E o que isto tem a ver com Tromso?? Já explico!
Tromso é uma cidade situada ao norte da Noruega, já dentro do círculo polar ártico. É um destino turístico para aqueles que buscam experienciar o sol da meia noite (no verão de lá) ou a charmosa aurora boreal (no inverno). Observar o sol da meia noite é uma experiência garantida, mesmo com céu nublado, já que a luz do sol fica visível todo o dia. Já a aurora boreal é uma vivência bem mais complexa, depende da fase da lua, do nível de nebulosidade e das explosões na superfície do Sol! É um fenômeno da natureza que não temos qualquer controle. Mas guias especializados conseguem observar indicadores que aumentam as possibilidades de sucesso na aventura. Prognósticos se baseiam no que já aconteceu e desenham probabilidades.

Na intenção de ter sucesso nesta aventura passamos 5 noites/4 dias em Tromso, aumentando a probabilidade. E fomos agraciados com 4 encontros com a aurora boreal:
- primeiro dia estava bem nublado e apesar de termos ido para uma área com pouca iluminação a visibilidade foi fraca – era difícil distinguir sua presença entre as nuvens
- segundo dia o céu estava claro, era lua nova, fomos para outra área com baixa luminosidade e a aurora boreal nos presenteou com várias aparições, inclusive com duas carreiras – a intensidade foi tamanha neste dia que até na cidade se Tromso era possível observar
- terceiro dia foi da mesma intensidade, também visível na cidade
- quarto dia, aí foi mágico, porque a vivenciamos logo após o anoitecer, as 4h da tarde, enquanto visitávamos aldeia Sami e suas centenas de renas – e aí a guia Sami nos contou que na sua tradição quando a aurora boreal aparece as pessoas devem se proteger em casa, contra seus efeitos, apesar de serem representações de nossos antepassados.
No entanto, a aparição da aurora boreal requer paciência e observação de detalhes. Poucas são as aparições em que as cores são observadas a olho nu.
Inicialmente surge como nuvens claras que podem ter maior ou menor densidade, e que se movem (afinal são partículas que adentram a atmosfera em velocidade). Por vezes estávamos olhando numa direção e algo “chamava a nossa atenção em outro lugar” e ficando atentos aos detalhes daí percebíamos seus rastros. Uma verdadeira caçada (Safari para fazer conexão direta com África!)
E as conexões entre as duas experiências de viagem:
- novamente, “não é porque não a víamos, que ela não estivesse lá”.
- ainda, uma energia que vem do infinito ( considerando a distância do sol à Terra) e se materializa no espaço finito do céu.
- por fim, a liberdade das partículas adentrando nossa órbita e as inúmeras formas que são percebidas
Além do sentido da visão, tantos outros estavam sendo ativado: tato ao pisar na neve, movimento ao deixar o corpo seguir o fluir das partículas, térmico ao estar exposto a um frio intenso (-16C!), audição (ouvir o silêncio), palavra no compreender as orientações dos guias-especialistas.
Ativar nossos sentidos colabora para que observarmos melhor o mundo que nos cerca e nos preparemos para sermos ativistas delicados!