Viagem à terra do sol nascente
Viajar, para mim, é um processo contínuo de auto-desenvolvimento. Não importa a viagem, sempre há algo a aprender. E quando esta viagem é para um destino como o Japão, isto se intensifica.
Apesar de já ter viajado para mais de 65 países, nos 5 continentes, ainda não tinha priorizado conhecer o Japão. Mas, em 2024, surgiu a oportunidade de unir uma viagem turística à participação em um encontro internacional de profissionais que atuam como Aconselhadores Biográficos – Worldwide Biographical Conference. Então, uma amiga e eu programamos esta viagem.

Foram 22 dias em solo japonês, mais muitas horas em deslocamento: 2 voos intercontinentais de mais de 10 horas e uma conexão em Nova York, na ida e na volta.
Quando pensava em Japão, pensava em um país pequeno, muito povoado, altamente desenvolvido tecnologicamente e, ao mesmo tempo, fiel às suas tradições.
Estava parcialmente certa:
- apesar de pequeno, quando comparado ao Brasil, é um país comprido e muitos deslocamentos superam 500km, facilmente vencidos pelos rápidos trens-bala – Shinkanzens
- em termos de população, a sensação que tive era de ter muito mais gente do que imaginava, com estações de trem enormes sempre lotadas de passageiros indo e vindo, sem falar nos ônibus e trens locais lotados
- tecnologia, por toda parte, desde o checkin nos hotéis às máquinas de vendas de produto em todos os locais, passando pelos sanitários (já famosos) e por robôs que conversam com você, mas uso mega restrito de celulares em ambientes públicos para nao incomodar os demais
- tradições das religiosas às vestimentas, veneradas no dia a dia não apenas em datas especiais, muito gratificante por poder vivenciar cerimonias do chá, do fogo e da veneração de antepassados (em templos) e até uso do quimono tradicional
Roteiro longamente planejado para vermos os locais principais dentro do tempo disponível, hotéis reservados com critérios que balanceavam custo x benefícios, alguns passeios contratos com antecedência para garantir a visita. Não é todo dia que se viaja para o outro lado do mundo, então buscamos minimizar riscos.
Tudo correu bem. Até mesmo quando me antecipei e insisti para entrarmos no Shinkansen que estava na plataforma, e que descobri que não era o nosso! Ele apitou e saiu 3 minutos antes do horário? Não, ele saiu no horário dele. O nosso chegou no minuto seguinte… felizmente ambos iam para o mesmo destino!
Então, qual a surpresa? O que aprendi com esta viagem?
Acho que foram duas surpresas:
- limpeza extrema por todos os locais, sem lixeiras (retiradas de locais públicos depois dos atentados ao metro de Tóquio com bombas de gás) – as pessoas carregam seus lixos para casa ou devolvem nos locais onde adquiriram comidas e bebidas – política de responsabilidade total pelo descarte gerado
- nudez totalmente normal entre pessoas do mesmo sexo – nos onsen’s (banhos termais) ou nos banhos públicos com piscinas aquecidas é proibido o traje de roupas de banho e todas andam naturalmente sem os pudores ocidentais – e são espaços muito apreciados, sobretudo para relaxar no fim do dia

Do que não gostei?
Não sou fã da culinária japonesa, não como peixe cru, adoro queijos e uma boa massa… Mas consegui apreciar a diversidade das formas de preparo e ficava encantada com os detalhes, mesmo nas caixas de bento (tipo marmitas que você compra para comer nos trens ou levar para casa).

Que registros trago marcados na alma?
Sem duvida o número um foi a visita ao monte Fuji, que se manteve escondido ao longe pelas nuvens durante todo o dia e que só se revelou quando subimos suas encostas e ultrapassamos as nuvens. Descobrimos um lindo seu azul e o topo do monte (na verdade um vulcão ativo) em sua altivez.
Outro registro foi ter a possibilidade de tocar no imenso tori de Miyajima na maré baixa e vê-lo como que flutuando nas águas na maré alta.
Ambos, monte Fuji e tori de Miyajima, são imagens conhecidas do Japão, mas vê-los com meus próprios olhos, vivenciar a alegria de estar ali naqueles momentos, superou às expectativas.

Poderia ficar aqui descrevendo outros destinos, tão incríveis quanto os dois últimos citados. Mas a proposta não é esta. Volto ao princípio do post – viagem como processo contínuo de auto-desenvolvimento.
Não basta viajar, compartilhar fotos maravilhosas, trazer lembrancinhas para família. É importante parar e refletir: como esta viagem me impactou? O que aprendi que não sabia? O que levo para a vida?
E você, que experiencia teve que contribui para o teu desenvolvimento? Pode ser uma viagem, a leitura de um livro, uma conversa com um amigo ou desconhecido. Compartilha conosco nos comentários!