Imersão em Towerland
No início de março de 2025 recebi um email que me soou como um chamado. Allan Kaplan e Sue Davidoff me convidavam a participar de uma vivência com o tema “Liberdade e forma”, numa imersão de duas semanas nas montanhas de Towerland (África do Sul).
Já havia estado com eles num curso on line durante a pandemia e num encontro presencial de dois dias e meio em 2024, dentro do processo de desenvolvimento dos associados do Parsifal21. Mas esta seria um oportunidade de ampliar aprendizados de cursos anteriores sobre observação goethianistica (Clara em 2016) e conexão com a natureza (John Milton em 2013). E o melhor é que Meiri Inoue, minha sócia no Parsifal21 e amiga, também havia sido convidada. Convite aceito por ambas!

Nas duas primeiras de setembro, éramos vinte e um participantes de vários países (Brasil, Argentina, Chile, Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Bélgica, Filipinas e África do Sul) mergulhados em observações individuais e compartilhamentos em pequenos grupos. Cada participante chegou com uma intenção e juntos vivenciamos um processo poderoso de mergulho em nós mesmos, aqui representado pelo labirinto – cópia do labirinto da catedral de Chartres (França).
A natureza especial daquele ecossistema contribuiu permitindo que experimentássemos frio e muito calor, céu azul de dia e estrelado à noite ou chuva e neblina intensa. Até eclipse lunar aconteceu – não testemunhamos a lua vermelha por estar encoberta por nuvens mas vimos um breu profundo e os morcegos em polvorosa. E as proteias – flores tradicionais do país, foram um espetáculo à parte. Sobretudo a proteía rei, fonte de observação de vários de nós em todas as suas fases – do nascer e crescer ao fenecer.
Allan e Sue são os autores do livro Ativismo Delicado – uma abordagem radical para mudanças, publicação promovida pelo Parsifal21, em parceria com Schumacher College do Brasil.
No Parsifal21 buscamos atuar alinhados com esta forma delicada de ser ativista, promovendo mudanças radicais no mundo, por meio da observação do complexo tecido social e da promoção de diálogos profundos entre as partes.
No entanto, para ser um ativista delicado é preciso um querer aberto ao desconhecido e um entender que apenas tecnologias sociais não bastam. É necessário desenvolver órgãos de percepção para observar para além do que é visível. E foi isto que esta imersão proporcionou.
Ao final, cada participante testemunhou como todo o processo o tocou. Para mim foi como se aquelas pessoas houvessem marcado um encontro, há muito tempo atras, para estarem naquele local, naquele momento e, juntas, colaborassem para o desenvolvimento das demais. Foi um tempo e um espaço extraordinário, tão necessário nestes tempos tão conturbados.